Orleans é um município do Estado de Santa Catarina. Situada a 190 km da capital Florianópolis. Está situada na Região Geográfica de Criciúma.
ESCULTURAS NO PAREDÃO
A ideia de esculpir o paredão, nasceu em 1977, e o projeto inicial previa 26 painéis. A obra iniciou em 1980 e foi paralisada em 1987. O Padre João Leonir Dall’Alba, fundador da Fundação Barriga Verde (Febave) e hoje mantenedora da Unibave, contratou o artista Zé Diabo para fazer a obra. Em 1984, um convênio com a Fundação Catarinense de Cultura até chegou a colaborar com a obra. Mas por falta de verbas os trabalhos foram paralisados.
As Esculturas do Paredão, localizam-se nas margens do Rio Tubarão na Rua Ethienne Stawiarski, em Orleans. Os painéis são esculpidos na rocha, que variam entre 3 metros a 10 metros quadrados. Cada painel traz a representação de uma passagem bíblica: Primeira Missa no Brasil, Catequese dos índios, Criação do Homem, Sacrifício de Abraão, Passagem do Mar Vermelho, Templo de Rei Salomão, Dois últimos Profetas do Antigo Testamento, Anunciação e Nascimento de Cristo. A obra foi esculpida pelo artista, contratado pela instituição e a visitação é gratuita ao público.
Foi na pedra a partir de 1980 que o pedreiro José Fernandes escreveu o recado que mais quis deixar. Mas foi de uma pintura em uma capela de Grão Pará, em 1957, que ele ganhou o apelido de Zé Diabo. Pois o artista que deu o paredão de esculturas bíblicas para Orleans faleceu na madrugada desta segunda-feira, aos 87 anos.
“Zé Diabo era maior que Orleans. A cidade está menor e mais triste”, define o radialista Róbson Lunardi. Nascido em Pindotiba em 19 de março de 1930, passou a ser conhecido como Zé Diabo após pintar um suposto embate entre o bem e o mal, representando o Diabo contra um anjo, em uma capela do interior de Grão Pará em 1957.
Mas sua maior obra começou em 1980, foi entregue oito anos depois mas, até o fim da vida, o artista a considerou incompleta. As esculturas do paredão, próximo ao Centro de Orleans, ocupam 200 metros de área esculpida e, vira e mexe, sofreram com a falta de limpeza e conservação. Católico fervoroso e autodidata das artes, Zé viveu afastado das artes nos últimos anos, tanto que em uma exposição da qual participou em 2012 considerou aquela “a última aparição enquanto artista”.
Deixou pinturas de passagens bíblicas também em igrejas de Orleans, Lauro Müller, Grão Pará, Nova Veneza, Urussanga e Sombrio. Certa vez, convidado a definir sua arte, exaltou a pedra como referência gravada da inspiração.
“Tentei escrever na areia, não deu certo, a onda apagou tudo. Tentei na água ela não aceitou, engoliu todas as vírgulas e pontos de interrogação. Experimentei no papel, mas ele se recusou dizendo que nele só escreviam pessoas letradas, e eu não era. Pensei então em escrever no ar, mas este é invisível, logo não se veriam as letras. Então recorri ao fogo, mas ele foi cruel e queimou tudo. Comecei a ficar desesperado, eu tinha que escrever algum recado para o povo, eu sentia que era preciso. Foi então, que me lembrei da pedra. Deu certo, ela aceitou” (José Fernandes, Zé Diabo).
Zé Diabo estava internado no Hospital Santa Otília e faleceu de complicações cardíacas e sofria conseqüências do mal de Alzheimer. Ele deixa esposa, três filhos e cinco netos.


